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Guia de Instalação:
Câmeras PTZ e Sistema de Controle

Procedimento técnico completo para instalação, cabeamento, configuração de rede e integração de câmeras PTZ em estúdios, auditórios e salas de transmissão. Siga as etapas na ordem apresentada.

1 · Visão Geral do Sistema

Um sistema PTZ típico é composto por quatro blocos: captação (uma ou mais câmeras PTZ), infraestrutura de rede (switch com PoE), controle (controladora com joystick ou software) e produção (mixer de vídeo ou computador com software de transmissão). Todos os blocos se conectam pela mesma rede local.

Diagrama 1 — Arquitetura geral do sistema

Câmera PTZ 1 SDI / HDMI / IP Câmera PTZ 2 SDI / HDMI / IP Câmera PTZ N SDI / HDMI / IP Switch Gigabit PoE / PoE+ · 1 Gbps Controladora Joystick · VISCA over IP Estação de Produção vMix · OBS · NDI / RTSP Saída / Streaming Telão · Gravação · Internet Cat5e / Cat6 (PoE) Rede local

Sinal de vídeo

O vídeo pode trafegar por SDI, HDMI, USB ou pela própria rede (NDI®/RTSP). Em instalações com cabos longos, prefira SDI ou vídeo por IP.

Alimentação

Via fonte externa (normalmente 12 V) ou PoE/PoE+ pelo cabo de rede — o que reduz a quantidade de cabos até a câmera.

Controle

Movimentos de pan, tilt e zoom são comandados por controladora física, software ou controle remoto IR, usando o protocolo VISCA (serial ou IP).

2 · Fundamentos Técnicos do Sistema PTZ

Como Funciona o Controle PTZ +

PTZ significa Pan (giro horizontal), Tilt (inclinação vertical) e Zoom (aproximação óptica). A movimentação é feita por motores de passo silenciosos comandados remotamente — a câmera recebe comandos digitais e converte em movimento mecânico preciso, permitindo repetir posições com exatidão (base do sistema de presets).

  • Faixa de movimento típica: pan de ±170° e tilt de −30° a +90°, com velocidade variável (movimentos lentos para uso ao vivo, rápidos para reposicionamento fora do ar).
  • Zoom óptico × digital: o zoom óptico (12x, 20x, 30x…) aproxima pela lente sem perda de qualidade; o zoom digital apenas recorta e amplia a imagem, degradando a resolução — em produção profissional, trabalhe somente dentro do alcance óptico.
  • Protocolos de controle: o padrão do mercado é o VISCA (criado pela Sony), disponível em versão serial (RS-232/RS-422) e em rede (VISCA over IP, via UDP/TCP). Equipamentos também costumam suportar Pelco-D/Pelco-P (herdados do CFTV, via RS-485) e ONVIF (padrão aberto de interoperabilidade IP).
  • Formas de comando: controladora física com joystick, software de controle no computador, interface web da câmera, controle remoto infravermelho e integração direta pelo software de produção (vMix e OBS comandam presets via VISCA/NDI).
  • Endereçamento: cada câmera recebe um endereço/canal (CAM 1–7 em VISCA serial; por IP no modo em rede), permitindo que uma única controladora opere dezenas de câmeras.
Interfaces de Vídeo: NDI, SDI, HDMI, USB e RTSP +

Câmeras PTZ profissionais oferecem múltiplas saídas simultâneas. A escolha da interface define latência, distância de cabo e fluxo de trabalho:

Interface Tipo de sinal Latência típica Banda / bitrate Melhor uso
SDI (3G/12G) Não comprimido, coaxial BNC 75 Ω < 1 frame 3 Gbps (1080p60) · 12 Gbps (4K60) Estúdios broadcast, mixers de vídeo, longas distâncias
HDMI Não comprimido, digital < 1 frame 18 Gbps (HDMI 2.0) Monitores locais, placas de captura, telões próximos
NDI (Full) Comprimido leve, por rede IP ~1 frame 100–250 Mbps por fluxo 1080p60 Produção ao vivo em rede Gigabit dedicada
NDI HX / HX3 Comprimido H.264/H.265, por rede IP ~2–4 frames 8–60 Mbps por fluxo Muitas câmeras na mesma rede, infraestrutura comum
RTSP Comprimido H.264/H.265, por rede IP 0,5–2 s (depende do buffer) 2–40 Mbps configurável Gravação, monitoramento, compatibilidade universal
USB (UVC) Plug-and-play como webcam ~2–5 frames USB 3.0 (5 Gbps) Videoconferência (Teams, Zoom, Meet), salas de reunião
Regra prática: use SDI/HDMI quando a prioridade for latência mínima com mixer físico; NDI quando a prioridade for flexibilidade de rede e produção por software; USB quando o destino for uma plataforma de videoconferência; RTSP para gravação e integrações genéricas.
Fluxo Duplo de Vídeo (Main Stream × Sub Stream) +

Câmeras IP profissionais codificam dois fluxos de vídeo simultâneos e independentes a partir do mesmo sensor. Cada fluxo tem resolução, taxa de quadros e bitrate próprios:

  • Main Stream (fluxo principal): máxima qualidade — ex.: 1080p60 ou 4K30, 10–40 Mbps. É o fluxo que vai ao ar: alimenta o programa no vMix/OBS, a gravação e a transmissão.
  • Sub Stream (fluxo secundário): qualidade reduzida — ex.: 640×360 ou 720p, 512 kbps a 2 Mbps. Usado para preview e multiview: a controladora e os monitores de pré-visualização consomem o sub stream, economizando banda de rede e processamento.

Diagrama — Fluxo duplo: um sensor, dois destinos

Câmera PTZ Sensor + codificador duplo MAIN STREAM 1080p60 · 10–40 Mbps SUB STREAM 360p/720p · 0,5–2 Mbps Programa / Gravação vMix · OBS · Streaming Preview / Multiview Controladora · Monitores
  • Configure os dois fluxos separadamente na interface web (menu Video Encode / Stream Settings).
  • No multiview da controladora com 4 telas, use sempre o sub stream — quatro main streams simultâneos saturam a decodificação do equipamento.
  • Na URL RTSP, os fluxos são endereços distintos (tipicamente /1 para main e /2 para sub — confirme no manual).
Controle Serial: RS-232, RS-422 e RS-485 +

Mesmo com o avanço do controle por IP, as interfaces seriais continuam presentes em toda câmera PTZ profissional — são imunes a problemas de rede e essenciais em integrações com automação (Crestron, Extron, mesas de corte):

Interface Topologia Distância máx. Dispositivos por barramento Uso típico
RS-232 (TIA-232) Ponto a ponto 15 m 1 Controladora → câmera única; automação local
RS-422 (TIA-422) Diferencial, cascata (daisy-chain VISCA) 1.200 m Até 7 (endereços VISCA 1–7) Cadeia de câmeras VISCA em auditórios grandes
RS-485 (TIA-485) Diferencial, multiponto (barramento) 1.200 m Até 32 Protocolo Pelco-D/P; integração com sistemas de CFTV
  • Parâmetros de comunicação: controladora e câmera devem usar exatamente os mesmos valores — o padrão de mercado é 9600 baud · 8 bits de dados · sem paridade · 1 stop bit (8N1). Taxas de 2400/4800/38400 também são comuns em Pelco.
  • Cabeamento diferencial (422/485): use par trançado, respeite a polaridade (A+/B− ou T+/T−) e instale resistor de terminação de 120 Ω nas duas extremidades do barramento em lances longos.
  • Cascata VISCA: a saída VISCA OUT de uma câmera liga na entrada VISCA IN da seguinte; o endereço de cada câmera é atribuído automaticamente ou por chave DIP, conforme o equipamento.
  • Aterramento comum: em RS-232, o pino GND das duas pontas deve estar conectado; diferenças de potencial de terra causam falhas intermitentes de comando.
Parâmetros de Imagem: Exposição, Foco e Cor +

Todos os parâmetros abaixo são acessíveis pelo menu OSD, interface web ou diretamente pela controladora (teclas AWB, AF, IRIS, BRIGHT):

Parâmetro O que faz Recomendação em produção
Íris (abertura) Controla a quantidade de luz que entra pela lente (F1.8–F11) Primeiro controle a ajustar; abrir a íris antes de subir o ganho
Ganho (Gain) Amplificação eletrônica do sinal do sensor (dB) Mínimo possível — acima de ~12 dB o ruído fica visível
Obturador (Shutter) Tempo de exposição de cada quadro 1/60 em rede 60 Hz para eliminar flicker de LED/fluorescente
Brilho (Bright/EV) Compensação de exposição no modo automático Ajuste fino quando se usa exposição automática
Balanço de branco (WB) Referência de cor conforme a temperatura da luz (K) Manual ou one-push com cartão branco; nunca automático ao vivo
Foco (AF/MF) Autofoco contínuo ou foco manual travado Manual travado quando há telão/LED wall ao fundo
BLC / WDR Compensa contraluz e cenas de alto contraste Ativar apenas quando não for possível corrigir a iluminação
Nitidez (Sharpness) Realce eletrônico de bordas Valores médios; excesso gera serrilhado em cabelos e texto
Redução de ruído (2D/3D NR) Filtra ruído em baixa luz Nível baixo/médio; 3D NR alto causa rastro em movimento
Gamma / Saturação Curva de contraste e intensidade de cor Padrão de fábrica; alterar apenas para casar múltiplas câmeras
Uniformidade entre câmeras: em sistemas multicâmera, ajuste uma câmera de referência e replique os valores exatos nas demais (a maioria dos equipamentos permite exportar/importar perfis de imagem). Diferenças de WB e gamma entre câmeras são a causa mais comum de cortes "estranhos" no programa.

3 · Instalação Passo a Passo

1 Planejamento e Posicionamento +

Antes de fixar qualquer equipamento, defina a posição de cada câmera de acordo com o enquadramento desejado. Regras práticas:

  • Altura: posicione a lente próxima à altura dos olhos das pessoas em cena (1,5 m a 1,8 m para pessoas em pé; 1,2 m a 1,4 m para pessoas sentadas). Instalações em teto exigem inclinação (tilt) para compensar.
  • Distância: respeite a distância mínima de foco da lente e verifique se o alcance de zoom óptico cobre o ponto mais distante da cena.
  • Ângulo: evite ângulos muito acentuados de cima para baixo (aparência de "câmera de segurança"). O ideal é até 15° de inclinação.
  • Contraluz: nunca posicione a câmera de frente para janelas ou fontes fortes de luz. A luz principal deve iluminar o rosto, vindo de trás da câmera.
  • Infraestrutura: confirme que há ponto de rede e/ou energia acessível a até 100 m de cabo (limite do padrão Ethernet).

Diagrama 2 — Posicionamento recomendado

Câmera PTZ Inclinação ≤ 15° Apresentador Altura da lente: 1,5 – 1,8 m Distância câmera → cena (respeitar foco mínimo e alcance do zoom) Luz principal atrás da câmera
2 Fixação Mecânica +

Câmeras PTZ podem ser instaladas em parede (com suporte articulado), teto (suporte invertido ou forro estrutural) ou tripé/mesa (rosca padrão 1/4"). Procedimento:

  1. Verifique o material da superfície e use buchas e parafusos compatíveis. O conjunto deve suportar com folga o peso da câmera + suporte (considere pelo menos 4× o peso total como margem de segurança).
  2. Marque os furos usando o gabarito do suporte, confira o nível com nível de bolha e só então fure.
  3. Fixe primeiro o suporte, depois acople a câmera. Não aperte os parafusos da câmera antes de conferir o alinhamento horizontal.
  4. Em instalação de teto, habilite o modo de imagem invertida (flip) no menu da câmera após a energização.
  5. Deixe folga de cabo (service loop) de 20–30 cm próximo à câmera para manutenção e para não tensionar os conectores.
Importante: nunca gire a cabeça da câmera manualmente com o equipamento desligado ou ligado. O posicionamento deve ser feito exclusivamente pelos motores, via controle. Forçar o mecanismo pode danificar as engrenagens e a calibração.
3 Cabeamento e Alimentação +

Escolha o método de alimentação e o caminho do sinal de vídeo conforme a distância e a infraestrutura disponível:

Conexão Uso típico Distância máx. recomendada Cabo
Rede + PoE/PoE+ Vídeo IP, controle e energia em um único cabo 100 m Cat5e ou Cat6 (Cat6 preferível)
SDI (3G/12G) Vídeo de baixa latência para mixer 70–100 m (3G) · 30–50 m (12G) Coaxial RG-6 / Belden 4694R
HDMI Monitor local, telões próximos 10–15 m (além disso, usar extensor) HDMI 2.0 certificado
USB Videoconferência (câmera como webcam) 3–5 m (além disso, usar cabo ativo) USB 3.0
Fonte externa 12 V Quando não há switch PoE Fonte próxima à câmera Fonte original do equipamento
  • Passe cabos de vídeo/rede separados de cabos de energia AC (mínimo 30 cm de distância em trajetos paralelos) para evitar interferência.
  • Identifique cada cabo nas duas pontas com etiquetas (ex.: CAM-01).
  • Ao usar PoE, confirme que a porta do switch fornece a potência exigida pela câmera (PoE 802.3af = 15,4 W · PoE+ 802.3at = 30 W).
  • Só conecte a alimentação depois que todos os cabos de sinal estiverem posicionados e conectados.

Crimpagem RJ45 — padrão T568B

Utilize o padrão T568B nas duas pontas (cabo direto). Após a crimpagem, certifique o lance com testador de cabos — em instalações com PoE, um par mal crimpado causa quedas intermitentes de energia difíceis de diagnosticar.

Diagrama — Sequência de pinos T568B (conector visto de frente, trava para baixo)

12345678 Br-LaranjaLaranjaBr-VerdeAzulBr-AzulVerdeBr-MarromMarrom

Classes de PoE — dimensionamento do switch

Norma Nome comum Potência na porta (PSE) Potência no dispositivo (PD) Aplicação típica
802.3af PoE 15,4 W 12,95 W Câmeras fixas, telefones IP
802.3at PoE+ 30 W 25,5 W Câmeras PTZ (padrão recomendado)
802.3bt PoE++ (Tipo 3/4) 60 / 90 W 51 / 71 W PTZ com aquecedor, monitores, APs Wi-Fi 6E

Some a potência de todos os dispositivos e compare com o PoE budget total do switch — um switch de 8 portas PoE+ com budget de 120 W não alimenta 8 câmeras de 25 W simultaneamente (200 W necessários). Dimensione com folga mínima de 20%.

4 Configuração de Rede (IP) +
  1. Conecte a câmera e o computador de configuração ao mesmo switch.
  2. Consulte o manual do equipamento para identificar o IP padrão de fábrica e configure temporariamente o computador na mesma faixa de rede.
  3. Acesse a interface web da câmera pelo navegador digitando o IP e faça login com as credenciais padrão.
  4. Troque a senha padrão imediatamente e registre-a em local seguro.
  5. Defina um IP fixo (estático) para cada câmera, fora da faixa de DHCP do roteador, seguindo um plano de endereçamento. Exemplo:
    Câmera 1 → 192.168.1.61
    Câmera 2 → 192.168.1.62
    Controladora → 192.168.1.60
    Estação de produção → 192.168.1.50
    Máscara: 255.255.255.0 · Gateway: 192.168.1.1
  6. Anote IP, máscara e gateway de cada equipamento em uma planilha de rede da instalação.
  7. Teste a conectividade com ping a partir da estação de produção.
Boas práticas: em instalações profissionais, mantenha as câmeras em uma rede (ou VLAN) dedicada à produção, isolada da rede de internet dos visitantes, e desative o acesso das câmeras à internet quando não for necessário.
5 Ajustes de Imagem +

Com a iluminação definitiva do ambiente ligada, ajuste os parâmetros de imagem pela interface web ou menu OSD:

  • Resolução e taxa de quadros: configure a saída conforme o destino (ex.: 1080p60 para transmissão ao vivo; 1080p30 para videoconferência). Todas as câmeras do mesmo sistema devem usar a mesma taxa de quadros.
  • Balanço de branco (WB): em ambientes com iluminação constante, use WB manual ou "one-push" apontando para um cartão branco. Evite o modo automático em transmissões, pois a cor pode variar durante o evento.
  • Exposição: prefira modo manual ou prioridade de íris. Ajuste íris e ganho até que os rostos fiquem corretamente expostos; mantenha o ganho o mais baixo possível para reduzir ruído.
  • Velocidade do obturador: em ambientes com iluminação fluorescente ou LED, use valores múltiplos da frequência da rede elétrica (1/60 em redes de 60 Hz) para eliminar cintilação (flicker).
  • Foco: o autofoco funciona bem na maioria das cenas. Em fundos com muito detalhe (telões, LED walls), use foco manual travado no apresentador.
  • Replique os mesmos valores em todas as câmeras para que os cortes entre elas fiquem uniformes.
6 Controle e Presets +
  1. Na controladora, cadastre cada câmera informando o IP configurado no Passo 4 e o protocolo VISCA over IP (porta padrão informada no manual do equipamento).
  2. Atribua um número de canal para cada câmera (CAM 1, CAM 2…) seguindo a mesma ordem das etiquetas dos cabos.
  3. Teste pan, tilt, zoom e foco de cada canal, verificando se a câmera selecionada corresponde ao número escolhido.
  4. Grave os presets (posições memorizadas): enquadre a cena desejada e salve na posição de memória. Padrão sugerido:
    PresetEnquadramento
    1Plano geral (cena completa)
    2Plano médio do apresentador principal
    3Close do apresentador
    4Púlpito / mesa secundária
    5Plateia / plano de reação
  5. Ajuste a velocidade de movimento dos presets: transições lentas e suaves para movimentos ao vivo; velocidade máxima apenas para trocas fora do ar.
7 Integração com Software (vMix / OBS) +

Via NDI® (recomendado quando disponível — descoberta automática e baixa latência):

  1. Ative a saída NDI na interface web da câmera.
  2. No vMix: Add Input → NDI e selecione a câmera na lista. No OBS: instale o plugin NDI e adicione uma fonte NDI Source.
  3. Confirme que câmera e computador estão na mesma sub-rede — o NDI depende disso para a descoberta automática.

Via RTSP (compatível com praticamente qualquer software):

  1. No software, adicione uma fonte de mídia/stream e informe a URL RTSP da câmera, no formato indicado no manual — normalmente rtsp://IP-DA-CAMERA:554/….
  2. Se houver atraso perceptível, reduza o buffer da fonte no software e use o stream principal (main stream) da câmera.

Checklist final antes do primeiro evento:

  • Todas as câmeras aparecem na estação de produção com imagem estável.
  • Presets respondem em todas as câmeras a partir da controladora.
  • Áudio e vídeo em sincronia na saída do programa.
  • Gravação de teste de pelo menos 10 minutos revisada sem falhas.

4 · Rede e Protocolos

Diagrama 3 — Topologia de rede recomendada (VLAN de produção)

VLAN DE PRODUÇÃO (isolada da rede de visitantes) Roteador Internet · DHCP Switch PoE Gigabit 192.168.1.x Câmera PTZ 1 · .61 PoE+ · NDI/RTSP/VISCA Câmera PTZ 2 · .62 PoE+ · NDI/RTSP/VISCA Controladora · .60 VISCA over IP Estação de Produção · .50 vMix / OBS · Recepção NDI Uplink Cat6 + PoE
Protocolo Função Porta padrão usual* Observação
HTTP/HTTPS Interface web de configuração 80 / 443 Acesso pelo navegador via IP da câmera
RTSP Stream de vídeo por IP 554 Compatível com OBS, vMix, VLC e gravadores
NDI® / NDI HX Vídeo, áudio e controle em rede local Descoberta automática (mDNS) Exige mesma sub-rede; ideal para produção ao vivo
VISCA over IP Controle de PTZ, foco e presets Definida no manual do equipamento UDP ou TCP, conforme a controladora
VISCA serial (RS-232/422) Controle cabeado ponto a ponto Alternativa quando não há rede disponível

* Portas podem variar conforme o equipamento. Consulte sempre o manual do modelo instalado.

5 · Normas Técnicas de Referência

Instalações profissionais de sistemas audiovisuais devem observar as normas de cabeamento estruturado, instalações elétricas e os padrões internacionais das interfaces utilizadas. Referência rápida:

Cabeamento e Infraestrutura (ABNT / TIA) +
NormaEscopoPontos relevantes para a instalação
ABNT NBR 14565 Cabeamento estruturado para edifícios comerciais Canal de até 100 m (90 m permanente + 10 m de cordões); categoria mínima Cat5e para Gigabit; identificação e certificação dos lances
ANSI/TIA-568 Padrão de cabeamento de telecomunicações Sequências T568A/T568B de crimpagem; raio mínimo de curvatura (4× o diâmetro do cabo UTP); desencapamento máximo de 13 mm no conector
ANSI/TIA-569 Caminhos e espaços de telecomunicações Eletrocalhas e eletrodutos dedicados; taxa de ocupação máxima de 40% dos dutos; separação de cabos de dados e energia
ABNT NBR 5410 Instalações elétricas de baixa tensão Circuito e disjuntor dedicados para o rack de produção; tomadas aterradas; DPS (protetor contra surtos) na alimentação dos equipamentos
ABNT NBR 5419 Proteção contra descargas atmosféricas Obrigatória quando há câmeras ou antenas em área externa; equipotencialização das blindagens e protetores de linha Ethernet
Padrões de Rede, Vídeo e Controle (IEEE / SMPTE / ITU) +
PadrãoEscopoAplicação no sistema PTZ
IEEE 802.3ab Gigabit Ethernet (1000BASE-T) Requisito mínimo de toda a rede de produção — vídeo IP não funciona de forma confiável em 100 Mbps
IEEE 802.3af / at / bt Power over Ethernet (PoE / PoE+ / PoE++) Alimentação das câmeras pelo cabo de rede (ver tabela de classes no Passo 3)
IEEE 802.1Q VLANs Segmentação da rede de produção, isolando o tráfego de vídeo da rede corporativa/visitantes
SMPTE 424M / ST 2082 3G-SDI e 12G-SDI Transporte de 1080p60 e 4K60 por cabo coaxial 75 Ω com conector BNC
ITU-R BT.709 Colorimetria HD Espaço de cor padrão das câmeras e monitores em HD — referência para calibração de cor
ITU-T H.264 / H.265 Codecs de compressão de vídeo Codificação dos fluxos RTSP e NDI HX; H.265 entrega a mesma qualidade com ~50% do bitrate
TIA-232 / 422 / 485 Interfaces seriais Camada física do controle VISCA serial e Pelco (ver seção de Fundamentos)
ONVIF (Perfil S/T) Interoperabilidade de vídeo IP Descoberta, streaming e controle PTZ entre fabricantes diferentes na mesma rede
UVC (USB Video Class) Vídeo por USB sem driver Reconhecimento automático da câmera como webcam em Windows, macOS e Linux
Boas Práticas de Entrega (Comissionamento) +

Ao concluir a instalação, formalize a entrega com a documentação abaixo — ela é o que diferencia uma instalação profissional e reduz drasticamente o tempo de suporte futuro:

  • Planilha de rede (as-built): IP, máscara, gateway, MAC, usuário e local de instalação de cada equipamento.
  • Relatório de certificação dos cabos: resultado do teste de cada lance de rede (comprimento, mapa de fios, atenuação).
  • Mapa de presets: tabela com o enquadramento salvo em cada posição de memória de cada câmera.
  • Backup das configurações: exporte o arquivo de configuração de cada câmera e da controladora após o ajuste final.
  • Registro de firmware: versão instalada em cada equipamento na data da entrega; atualize firmware apenas fora do período de eventos e com backup prévio.
  • Treinamento de operação: registro de que a equipe operadora recebeu instrução sobre presets, ajustes básicos e a quem acionar em caso de falha.
  • Manutenção preventiva: a cada 6 meses — limpeza da lente com material óptico, verificação de conectores, teste de todos os presets e conferência do PoE budget do switch.

6 · Resolução de Problemas

A câmera não aparece na rede +
  • Verifique se o LED da porta do switch acende — se não, teste outro cabo e outra porta.
  • Confirme que computador e câmera estão na mesma faixa de IP e mesma máscara de sub-rede.
  • Teste com ping para o IP da câmera.
  • Se o IP foi alterado e esquecido, use a ferramenta de busca do fabricante ou faça o reset de fábrica conforme o manual.
A câmera não liga via PoE +
  • Confirme que a porta do switch é PoE ativa e que o orçamento total de potência (PoE budget) do switch não foi excedido pelas demais portas.
  • Câmeras PTZ com motores costumam exigir PoE+ (802.3at, 30 W) — PoE comum pode ser insuficiente.
  • Cabos acima de 90 m ou de baixa qualidade causam queda de tensão; teste com cabo curto certificado.
  • Teste com a fonte externa para isolar se o problema é da câmera ou da alimentação PoE.
Imagem com atraso, travamentos ou artefatos +
  • Use exclusivamente switches Gigabit; portas de 100 Mbps não comportam múltiplos streams de vídeo.
  • Evite Wi-Fi em qualquer ponto do caminho entre câmera e estação de produção.
  • Reduza o bitrate do stream na câmera ou use NDI HX em redes com muitos fluxos simultâneos.
  • Verifique se a estação de produção tem CPU/placa de rede suficientes para decodificar todos os fluxos.
A controladora não comanda a câmera +
  • Confira se o IP e a porta VISCA cadastrados na controladora são exatamente os configurados na câmera.
  • Verifique se o protocolo (UDP ou TCP) selecionado na controladora coincide com o exigido pela câmera.
  • Confirme que o canal selecionado na controladora corresponde à câmera desejada.
  • Em VISCA serial, confira o padrão do cabo (RS-232 x RS-422), a pinagem e a taxa de transmissão (baud rate) nas duas pontas.
Imagem escura, estourada ou com cintilação +
  • Cintilação (flicker): ajuste o obturador para 1/60 (rede de 60 Hz) ou ative o modo anti-flicker.
  • Imagem escura: abra a íris ou aumente moderadamente o ganho; se possível, reforce a iluminação da cena em vez de elevar o ganho.
  • Rosto escuro com fundo claro: há contraluz — reposicione a câmera ou ative a compensação de contraluz (BLC/WDR).
  • Cores diferentes entre câmeras: faça o balanço de branco manual em todas usando a mesma referência.

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